O encontro visou, sobretudo, elucidar os distintos diplomatas sobre os principais aspectos que podem proporcionar uma cooperação mais efectiva e completa no que diz respeito ao crescimento económico de Angola.
Os representantes do Corpo Diplomático acreditado em Angola foram informados, ontem, em Luanda, sobre o programa de governo do MPLA para o quinquénio 2017/2022, que será efectivado caso o partido ganhe as próximas eleições gerais marcadas para 23 de Agosto do ano em curso. Na ocasião, o secretário do MPLA para as Relações Internacionais, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, disse no discurso de abertura, que o programa de governo do MPLA para o quinquénio 2017/2022, foi elaborado “com elevado sentido patriótico, baseando-se no realismo, pragmatismo e cientificidade”.
Coube ao secretário do Bureau político do MPLA para a Esfera Económica e Social, Manuel Nunes Júnior, a apresentação do Programa que contém, como principais linhas de actuação, o aumento da produção nacional; a criação de mais empregos, sobretudo para a juventude; o combate aos crimes e ilicitudes económicas desde a corrupção, branqueamento e fuga de capitais; o combate à pobreza sob todas as formas, garantindo a segurança alimentar e a melhoria dos níveis de nutrição e a promoção da agricultura sustentável. Manuel Júnior garantiu que, caso o MPLA vença as eleições, vai tornar o seu programa efectivo naquilo que tem a ver com o aumento rápido da produção nacional, a criação de novos empregos sobretudo para a juventude, considerando ser esta a base para que haja prosperidade.
O responsável partidário informou que o encontro mantido visou elucidar os distintos diplomatas sobre os principais aspectos que podem proporcionar uma cooperação mais efectiva e mais completa no que diz respeito ao crescimento económico de Angola. “O nosso maior objectivo é fazer com que a produção nacional económica aumente rapidamente e isso é importante porque vai diminuir as importações e, com isso, haverá menos pressão sobre as divisas que estão cada vez mais escassas”, disse Manuel Júnior, avançando que as divisas existentes deviam ser usadas para questões mais estratégicas, evitando importar de forma desnecessária produtos que podem ser produzidos no país. “Sempre que pudermos fazer isso com a melhor cooperação internacional, os nossos resultados serão mais rápidos e mais eficazes”, acrescentou.
Diplomata defende aposta nas comunidades rurais
Por seu turno, o coordenador residente das Nações Unidas e representante do PNUD em Angola, Pier Paolo Balladelli, ao fazer uma análise das principais linhas do programa de governação do MPLA referiu que há ainda uma série de temas que não aparecem evidenciados no mesmo programa. O diplomata defendeu a necessidade de se apostar mais no modo de vida das comunidades residentes nas zonas rurais, dando- lhes a possibilidade de terem acesso aos programas de empréstimos e investimentos, alegando que feita uma boa aposta nessas comunidades as mesmas teriam maiores opções de desenvolver os seus serviços.
“Para mim, como responsável das Nações Unidas, gostaria de ver desenvolvidas as modalidades que permitam às famílias angolanas que estão a viver em zonas rurais ter acesso aos programas de empréstimos e investimentos para que elas possam criar opções de desenvolvimento e de acesso aos serviços sociais. Esse é um componente muito operativo que hoje não foi evidenciado no programa”, disse. O coordenador salientou que, quando Angola finalmente encontrar formas de diversificar a sua economia e poder exprimir todo o seu potencial, será capaz de ultrapassar a situação de crise económica que vive. “A maior riqueza de Angola é a população e não o petróleo. É um país com uma população maioritariamente jovem e com grande capacidade de produção, tem todas as características para poder assumir um bom desenvolvimento”, rematou. (O País)