O candidato do MPLA a Presidente da República prometeu ontem, caso vença as eleições gerais, reduzir “ao estritamente necessário” o sector público na economia, através da alienação de empresas públicas não essenciais a favor do sector privado.
Na sua primeira entrevista colectiva a órgãos de comunicação social nacionais desde que se tornou candidato a Presidente da República, João Lourenço garantiu que o Estado vai manter-se apenas nas empresas estratégicas, mas, “mesmo estas têm de dar lucros”.
“A partir do momento que é empresa, tem de dar lucro, não pode viver do erário, do Orçamento Geral do Estado”, disse João Lourenço, para acrescentar que as empresas públicas têm de ter gestão competente, para “não sugarem recursos do erário, mas contribuírem para as finanças do Estado, por via dos impostos”.
João Lourenço prometeu igualmente atacar a má gestão dos recursos públicos. “Criou-se na nossa sociedade a mentalidade de que tudo que é do Estado é para se cuidar de qualquer forma, não há contas a prestar, não há patrão.
Temos de trabalhar no sentido de inverter esta mentalidade”, disse, garantindo tomar medidas administrativas, legislativas e de educação cívica, para colocar na mente das pessoas de que o “que é público é sagrado, tem dono e que há necessidade de preservar e de prestar contas ao dono do património, que é o povo angolano”.
Quando faltam oito dias para o arranque da campanha eleitoral e 39 dias das eleições gerais, João Lourenço promete lutar para reduzir a economia informal e fazer com que mais pessoas entrem para a economia formal, paguem os seus impostos. “Se se facilitar o processo de criação de empresas, sobretudo as micros e pequenas empresas, acreditamos que vamos conseguir transferir um número considerável de famílias que hoje estão no mercado informal, constituindo as suas pequenas empresas, que vão paulatinamente crescer e reforçar a economia formal”, disse o candidato do MPLA, que concluiu, recentemente, uma série de deslocações pelo país para apresentar-se aos militantes, simpatizantes e amigos do seu partido e as linhas de força do seu programa de governação.
Combate à corrupção
O candidato do MPLA a Presidente da República pediu empenho de todos para o combate à corrupção, que coloca, no seu entender, mal a reputação do país diante da comunidade internacional e prometeu atacar o mal através do combate cerrado à impunidade.
João Lourenço lembrou que a questão do combate à corrupção consta da Moção de Estratégia do Líder do partido, no Programa de Governação igualmente do partido para os próximos cinco anos e é uma preocupação da direcção do partido.
Aposta na juventude
Na conferência de imprensa de quase uma hora, João Lourenço destacou ainda o investimento na educação e no ensino, para que os jovens não tenham de se deslocar para o estrangeiro para formação e lembrou que a aposta na criação de um ambiente favorável para a proliferação de empresas vai resultar na expansão do emprego, principalmente para a juventude. “Um país é feito de homens capacitados, capazes de transformar a nossa sociedade”, disse, para acrescentar: “O maior investimento que se faz tem de ser feito no homem e não no betão. Temos consciência de que é preciso construir muito, mas a primeira construção a fazer é o investimento no homem, que vai garantir o desenvolvimento da economia e da sociedade em geral”.
Estilo de governação
O candidato do MPLA a Presidente da República admitiu que o seu estilo de governação vai ser diferente do Presidente José Eduardo dos Santos, apesar de serem da mesma formação política. Entretanto, esclareceu, não se pode ver nas diferenças uma forma de desvio dos grandes objectivos do MPLA resumidos em mais e melhor educação, saúde, habitação, emprego, mais liberdade democrática e bem-estar.
“Isso pode ser conseguido utilizando estilos de governação diferentes”, disse João Lourenço, para acrescentar: “o objectivo não é como chegar lá, mas que se consiga chegar lá”. O candidato do MPLA rejeitou, igualmente, a necessidade de uma revisão da Constituição da República, mesmo que tenha maioria parlamentar para o fazer.
“Que estes objectivos plasmados no Programa de Governação do MPLA sejam alcançados com êxito, independentemente da forma como conduzirmos as nossas políticas para atingir estes objectivos”, disse João Lourenço, descartando, para já, convidar elementos de outros partidos para se juntar à governação, caso vença as eleições.
“Vamos governar ara todos, em benefício de todos, isso não significa governar com todos”, explicou o candidato do MPLA aos jornalistas.
João Lourenço falou igualmente da aposta na diplomacia económica, como prioridade do seu Governo, caso vença as eleições, para atrair investimento, já que a tarefa é apostar no desenvolvimento económico e social do país. “Só vamos conseguir este objectivo se potenciarmos o empresariado nacional e se atrairmos bastante o investimento estrangeiro”, disse João Lourenço, para acrescentar que há toda a necessidade de colocar a diplomacia ao serviço da economia nacional.
Diplomacia económica
O candidato do MPLA falou das recentes deslocações a Espanha, Estados Unidos, França, Itália e a alguns países africanos, para justificar a intenção do Governo do MPLA em aprofundar e fortalecer as relações com estes e outros países amigos.
“Queremos trabalhar com o mundo, queremos trabalhar de forma aberta com todos aqueles que respeitam a nossa soberania e que não tenham interferência na nossa vida política”, disse o cand idato do MPLA a Presidente da República, para acrescentar que da parte de todos eles encontrou uma abertura total.
“O Executivo não pode ter a veleidade de pensar que sabe tudo, que acompanha tudo e que não precisa ouvir os parceiros sociais. A sociedade civil organizada acaba por ser um parceiro social do Executivo em condições de ir alertando para as correcções que importa ir fazendo para resolver os problemas da sociedade”, disse.
Candidato do MPLA tem medidas para incentivar o emprego
João Lourenço vai reduzir os impostos para quem fizer investimentos no interior do país, principalmente nas zonas mais desfavorecidas, como forma de incentivar a deslocação dos negócios e aumentar o emprego, a oferta de bens e serviços.
Para o candidato do MPLA, o Estado tem as suas responsabilidades de criar um quadro macroeconómico para que a economia funcione perfeitamente, mas quem tem de produzir os bens e serviços fundamentais deve ser o sector privado da economia.
João Lourenço manifestou-se ainda confiante de que vai conseguir ultrapassar a cifra de 500 mil empregos constantes do Programa de Governo para os próximos cinco anos. A estratégia passa pela criação e reforço do empresariado nacional.
O incentivo para o investimento nas regiões mais pobres é também, segundo João Lourenço, a estratégia para
combater as assimetrias e garantir o desenvolvimento harmonioso de Angola.
No seu programa de governação, o MPLA compromete-se em promover o emprego dos jovens e apoiar a sua transição adequada dos sistemas de ensino para a vida activa, além de proceder a ajustes nos mecanismos de acompanhamento da geração do emprego, combate ao desemprego de longa duração de adultos. O MPLA promete reduzir em um quinto, no mínimo, a taxa actual de desemprego, na ordem dos 24 por cento, e reforçar as medidas de melhoria da empregabilidade. Governo do MPLA vai, igualmente, estruturar e implementar um sistema de informação sobre o mercado de trabalho e oferta do primeiro emprego e estimular o ensino à distância. (jornal de Angola)