O vice-presidente do MPLA e cabeça de lista deste partido, João Manuel Gonçalves Lourenço, buscou ontem, em Catete, município de Icolo e Bengo, inspiração e os ensinamentos de António Agostinho Neto para as eleições de 23 de Agosto. Falando durante a homenagem ao antigo presidente do partido e primeiro Presidente da República de Angola, que decorreu num recinto do Comité Municipal de Icolo e Bengo, o candidato indicado para suceder o Presidente José Eduardo dos Santos reconheceu que ‘viemos buscar a inspiração daquele que liderou durante a luta de libertação’ e ‘devolveu a liberdade’ que tinha sido retirada durante cinco séculos pelos colonialistas portugueses.
‘Viemos buscar a força do passado em Agostinho Neto para que com o presente possamos construir um futuro melhor. Para melhorar o que está bem e corrigir o que está mal’, salientou, acrescentando que a vitória do seu partido e do candidato será o culminar de um processo de transição em curso.
A um dia do início da campanha eleitoral, que arranca oficialmente hoje em todo o país, Lourenço mostrou-se confiante numa vitória. A confiança do político assenta nas manifestações de carinho e de apoio que o MPLA e o seu candidato tiveram durante a fase de pré-campanha, em que percorreram o país para apresentar o candidato, o manifesto e o programa de governo do partido.
Parafraseando o Presidente José Eduardo dos Santos, o cabeça de lista do MPLA salientou que, para ganhar no próximo mês, o seu partido não precisa de mentir, insultar ou caluniar quem quer que seja, razão pela qual saía do acto de homenagem confiante na conquista dos votos da maioria dos angolanos nas eleições gerais.
Apesar da convicção, o candidato a Presidente da República instou os seus partidários a intensificarem o trabalho que têm vindo a realizar para merecerem o voto no dia das eleições. Por isso, pediu aos militantes, amigos e simpatizantes do MPLA a comparecerem em massa nas assembleias de votos, às primeiras horas do dia da votação.
Além do vice-presidente do MPLA, que ontem visitou a aldeia de Caxicane, onde nasceu António Agostinho Neto, o centro cultural construído em sua homenagem, a cerimónia de homenagem ao primeiro Presidente da República de Angola contou ainda com os depoimentos de antigos companheiros como o actual embaixador de Angola na Argentina, Hermínio Escórcio, a secretária-geral da Organização da Mulher Angolana (OMA), Luzia Inglês ‘Inga’, e de Salvador Sebastião. Visivelmente emocionada, ‘Inga’ recordou os momentos em que conheceu Agostinho Neto, que se veio a tornar padrinho do seu casamento com Afonso Van-Dúnem ‘Mbinda’. Já Hermínio Escórcio, que foi um dos principais homens de confança do fundador da Nação, destacou as qualidades deste, garantindo ter sido um líder que tudo fez para que ‘a riqueza de Angola fosse melhor distribuída a todos os angolanos’.
‘Juntos percorremos Angola de Cabinda ao Cunene e alguns países. Foi um chefe, amigo e irmão’, recordou o diplomata. Em nome da família e da Fundação António Agostinho Neto discursou a filha, Irene Neto. A deputada apresentou seis propostas ao governo que sair das próximas eleições, entre as quais a construção de uma praça em Caxicane, terra natal de Agostinho Neto, a atribuição do seu nome ao futuro aeroporto internacional de Luanda, em construção em Icolo e Bengo, a edificação de uma sede para a fundação do malogrado, a restauração dos seus imóveis, a conclusão da Universidade Agostinho Neto e a reedição e tradução dos livros do poeta maior para as línguas nacionais e estrangeiras.
Estiveram também presentes na cerimónia os irmãos do malogrado, Ruth Neto, Irene Neto e José Agostinho Neto. A viúva do primeiro Presidente, Maria Eugénia Neto, esteve ausente por razões de saúde. (O País)