O 1º secretário do comité provincial de Benguela denuncia a existência de pessoas no seio do MPLA que não estão comprometidas com os princípios e valores do partido e que lá estão apenas para assegurar os seus cargos, satisfazendo, com efeito, os seus interesses pessoais. Prova disso, de acordo com Rui Falcão, foi o facto de muitos deles não terem dado à “mão ao partido”, no período de campanha, quando este mais precisou deles.
Falando aos seus militantes no município da Ganda, onde esteve a trabalhar durante dois dias, Rui Falcão disse que os quadros que forem indicadas pelo partido para exercer funções de Estado, no mandato que vai de 2017 a 2022, devem estar comprometidos com o povo e abster-se de práticas de corrupção, por estas mancharem o no- me do partido e contrariam, de modo geral, os princípios directores da formação política.
Por esta razão, apelou aos militantes a denunciarem, doravante, qualquer acto de corrupção praticado por gestores públicos, de modo a que se devolva ao par- tido os seus princípios. O político quer que se recupere a crítica e a auto-crítica que caracterizam o MPLA.
Embora a sua permanência na liderança do Executivo local seja uma incógnita – a julgar pelo facto de o Presidente eleito não ter ainda tomado posse e, consequentemente, constituído Governo -, Falcão deixou claro que, caso seja integrado no novo Governo, na sua governação vai banir e responsabilizar gestores que se envolvam em tal prática, porque, no seu entender, “a corrupção prejudica grandemente o desenvolvimento da comunidade.
Quem rouba não respeita os princípios do partido e este não pode continuar a dirigir”, considerou, esperançado de que aquilo a que convencionou chamar de “limpeza” comece lá de cima, “com o camarada João Lourenço”, que, recorde-se, nas vestes de candidato, durante a campanha eleitoral, teve no combate à corrupção a tónica do seu discurso.
Apontou o dedo a militantes que abandonaram o partido no momento em que este mais precisou deles, rumando de viagem a Europa, e depois de terem sido anunciados os resultados definitivos, que conferiram vitória ao MPLA com 61, 7% dos votos, regressaram e, despudoradamente, juntaram-se à festa de comemoração da vitória. (O País)